Levantamento aponta matança de animais silvestres por atropelamento em rodovia do ES

Trabalho no trecho da ES 010 que corta a última grande área de restinga e Mata Atlântica no litoral da Serra aponta necessidade de criar travessias para os bichos.

19 de agosto de 2022
atualizada em
Cachorro do mato atropelado no trecho no último dia 28 de julho. Foto: Divulgação/Ibraff
Cachorro do mato atropelado no trecho no último dia 28 de julho. Foto: Divulgação/Ibraff

Entre Jacaraípe e Nova Almeida, Serra, há um trecho de cerca de 8 km que a rodovia ES 010 atravessa remanescentes de Mata Atlântica, alagados e restinga, habitats de animais nativos ameaçados de extinção. Pelo fato da via não ter pontes (passagens por cima) ou túneis de fauna, muitos bichos que tentam atravessar a pista acabam morrendo atropelados.

É o que aponta o trabalho de monitoramento retomado há três meses pelo Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (Ibraff). Segundo o diretor do Ibraff, Claudiney Rocha, neste período foram encontrados 19 animais mortos no trecho em decorrência de atropelamento, entre répteis, anfíbios e mamíferos. Insetos e moluscos não são contabilizados.

O caso registrado no último dia 29 de julho do atropelamento de um cachorro do mato, ganhou repercussão por ser a espécie ameaçada de extinção.

“Estamos com este monitoramento justamente para pedirmos o poder público estadual para colocar túneis de travessia e travessias aéreas, pois além dos macacos sagui-de-cara-branca, temos o macaco bugio, gambá, ouriço, capivara, veado, cachorro do mato e diversas espécies de répteis e aves”, detalha o ativista.

Claudinez faz pessoalmente o monitoramento e conta com ajuda da população, que manda fotos e vídeos de pelo whatsapp da entidade. O número é (27) 99994-9438.

“Com a divulgação do trabalho pelo jornal Tempo Novo, outros sites de notícias e TV, temos recebido muita colaboração de imagens de quem passa na rodovia. Não só de situações de atropelamento, mas também de animais que conseguem atravessar a pista ou que aparecem nas margens dela. E isso nos ajuda a saber quais espécies ainda resistem na região”, frisa o ativista.

O trecho monitorado da rodovia corta áreas naturais entre o interior e o litoral. Às margens dele inclusive está o maior fragmento de vegetação de restinga ainda preservado da Serra, localizado entre Costabela (Jacaraípe) e Marbela (Nova Almeida), mata que, segundo Claudiney faz parta da Área de Proteção Ambiental (APA) Federal da Costa das Águas.

Há anos ativistas e profissionais da área de ecologia pedem que a prefeitura crie um Parque Municipal no local para dar mais blindagem contra a especulação imobiliária que avança na região. 

Ativista pede apoio para seguir fazendo trablho

O monitormento do trecho começou em 2016, mas foi interrompido por falta de recursos. Em 2022 Claudiney resolveu retomar o projeto, que é voluntário, para pedir instalação de passagens para os animais no trecho e placas de sinalização sobre a presença de vida silvestre.

“Até o momento não temos patrocínio. O temos é uma vaquinha on line. Para manter o projeto precisamos de luvas e manutenção em bicicleta. Também planejamos fazer placas de sensibilização para motoristas que trafegam na rodovia”, conta o ambientalista.

Quem quiser ajudar o projeto pode doar via chave pix 2846776@vakinha.com.br. E entrar em contato com o número (27) 99994 – 9438 para comunicar a doação.

Sobre o Ibraff

Sediado no bairro Lagoa, na grande Jacaraípe, o Ibraff desenvolve há anos ações de conservação ambiental na região litorânea da Serra. Dentre elas resgate de animais silvestres, educação ambiental, monitoramento de fauna atropelada na rodovia ES 010, recuperação de áreas degradadas, campanha contra o trafico de animais silvestres e em prol da redução de resíduos sólidos. Na conta do instagram @ibraff é possível acompanhar as atividades da instituição.

 

imagem de
Bruno Lyra
Jornalista especializado em coberturas ambientais e professor de geografia
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